Hoje é aniversário da minha mãe e falar dela é, inevitavelmente, falar de mim também.
A presença de uma mãe que está verdadeiramente ali faz enorme diferença em nossa vida, e eu falo disso tanto como filha como profissional que acompanha tantas crianças e adolescentes. E isso não se dá apenas em grandes momentos, mas no cotidiano, nas pequenas coisas, na constância que sustenta a vida enquanto ela acontece. Ter uma mãe presente é crescer com uma referência de amparo que, muitas vezes, só compreendemos em profundidade quando nos tornamos adultos.

A saúde mental começa muito antes de qualquer palavra técnica. Ela começa no colo, no olhar, na forma como alguém nos sustenta quando ainda não sabemos fazer isso sozinhos. Começa na segurança de saber que existe um lugar onde podemos voltar. E eu sempre tive e tenho esse lugar nela, ainda mais por ter vivido uma trajetória muito diferente de tantas crianças e adolescentes.
Minha mãe sempre foi essa presença firme e sensível ao mesmo tempo. Alguém que acompanhou todos meus caminhos, que apoiou com coragem e ofereceu suporte mesmo quando não havia respostas, somente esperança. Ter uma mãe perto não impede dores da vida, mas transforma completamente a forma como atravessamos cada uma delas.

Além de mãe, ela é uma avó maravilhosa. E é emocionante ver esse amor seguir adiante, agora em outro tempo, em outra geração. Para mim, é bonito testemunhar esse vínculo se refazer, se reinventar, e continuar sendo fonte de segurança e afeto.
Na clínica, todos os dias, eu escuto histórias que mostram o quanto a presença, ou infelizmente a ausência, da figura materna pode marcar profundamente um sujeito. E isso me faz reconhecer, com ainda mais clareza, o privilégio que é ter alguém que é base, apoio e LAR!
Este texto é uma homenagem, mas também é um reconhecimento. Porque quem eu sou hoje também se construiu a partir do que recebi dela. Da forma como sempre fui amada, cuidada e sustentada.
Feliz aniversário, mãe.
Obrigada por ser, desde o início, parte essencial da minha história.
