“Meu filho vai à terapia para brincar?”

Sim. E é justamente através do lúdico que, muitas vezes, a terapia com crianças é possível.

A brincadeira é um recurso. É por meio do brincar que a criança se expressa, comunica suas experiências e elabora aquilo que ainda não consegue colocar em palavras.

Diferente do adulto, que pode conseguir falar sobre o que sente, a criança normalmente mostra. Ela repete situações, cria histórias, encena conflitos, distribui papéis. Tudo isso transmite uma mensagem e é linguagem.

Na escuta psicanalítica, o brincar permite acesso ao mundo interno da criança: seus medos, angústias, fantasias e formas de compreender o que vive. Não se trata de distração, mas de um modo legítimo de elaboração psíquica.

É nesse espaço que a criança pode, aos poucos, simbolizar o que antes aparecia apenas como comportamento, sintoma ou sofrimento.

A criança vai à terapia para brincaR e brincando ela consegue, verdadeiramente, ser escutada. Na terapia infantil, o lúdico vai além da diversão, é o meio pelo qual a criança expressa o que sente, elabora conflitos e encontra novas formas de lidar com o mundo.

Por meio de jogos, desenhos, histórias e faz de conta, ela comunica o que muitas vezes ainda não consegue colocar em palavras. O brinquedo se torna símbolo, a brincadeira se transforma em fala, e o terapeuta escuta aquilo que está “dito” no gesto, no olhar, no silêncio.

Eu espero que a brincadeira seja parte frequente de suas rotinas. O que você mais brinca com seu filho ou filha?

BRINQUE COM SEU FILHO

Quando pais se colocam verdadeiramente disponíveis para brincar, com atenção plena, sem celular, sem pressa, sem interrupções, eles estão dizendo, sem palavras: “eu te vejo, eu estou aqui, você importa”.

A brincadeira é a linguagem da infância, é por meio dela que a criança elabora emoções, organiza o mundo, expressa medos, desejos e conflitos que ainda não sabe nomear.

Quando um adulto entra nesse espaço com presença, cria-se um vínculo de segurança que fortalece a autoestima, a confiança e o sentimento de pertencimento.

Não precisa brincar por horas, mas tire um tempo de qualidade, alguns minutos de entrega valem muito. Esse tempo constrói memória afetiva, regula emoções, diminui a ansiedade e ensina, pelo exemplo, o valor da conexão humana.

5 ideias simples, possíveis e interessantes de atividades sem telas:

1. Cozinhar juntos
Convide a criança para participar do preparo de algo simples: lavar os alimentos, misturar ingredientes ou montar o prato. Não precisa virar uma “aula”. O mais importante é conversar enquanto fazem, ouvir histórias, rir dos erros e transformar a cozinha em um espaço de troca e presença.

2. Brincadeiras livres com o que já existe em casa
Caixas viram castelos, lençóis viram cabanas, panelas viram instrumentos. Os pais podem apenas oferecer os materiais e deixar a imaginação conduzir. Evite dirigir a brincadeira o tempo todo; observe, participe quando for convidado e valorize a criatividade da criança.

3. Leitura compartilhada
Escolha um livro e leia junto, mesmo que a criança ainda não leia sozinha. Vale comentar a história, perguntar o que ela acha que vai acontecer ou apenas escutar. Para os menores, o tom de voz e o tempo juntos são mais importantes do que a quantidade de páginas.

4. Jogos simples de mesa ou de conversa
Pode ser um jogo de cartas, dominó ou até jogos inventados, como “verdade ou imaginação”, adivinhações ou contar histórias em conjunto. Os pais podem aproveitar esse momento para estimular o diálogo, o riso e a escuta, sem cobrança de desempenho.

5. Momentos ao ar livre, mesmo que curtos
Uma caminhada no quarteirão, brincar no quintal, observar o céu, cuidar de plantas. Não precisa ser um grande passeio. O papel dos pais é desacelerar junto, observar, comentar o que veem e permitir que a criança explore o ambiente no próprio ritmo.

Mais do que preencher o tempo, essas atividades ajudam a fortalecer vínculos, estimular a criatividade e mostrar às crianças que a presença dos pais, inteira e disponível, é uma das experiências mais valiosas que elas podem ter. Basta uma atividade por dia para começar a sentir a diferença.

Daniela Martins - Doctoralia.com.br