Por quase 30 anos, Toy Story falou sobre amizade, pertencimento, despedidas e crescimento. Vimos Andy crescer, vimos os brinquedos enfrentarem o medo de serem esquecidos e aprendemos que amar também significa deixar partir.
Agora, em Toy Story 5, a discussão parece ganhar um novo contorno: a concorrência entre os brinquedos tradicionais e as telas que capturam cada vez mais a atenção das crianças.
E essa não é apenas uma questão sobre tecnologia.
Quando uma criança brinca com um brinquedo, ela cria histórias. Um bloco vira castelo. Uma boneca vira médica. Um carrinho vira uma aventura. A brincadeira exige imaginação, criatividade, tolerância à frustração e construção de vínculos.
Já as telas entregam grande parte da experiência pronta.
Não se trata de demonizar a tecnologia. Ela faz parte da nossa vida e pode ser uma ferramenta valiosa. O problema surge quando ela ocupa todos os espaços. Quando não sobra tempo para o tédio criativo. Quando não sobra espaço para inventar, imaginar, explorar e até se frustrar.
Como psicanalista, penso que o brincar nunca foi apenas passatempo. O brincar é uma das formas mais importantes pelas quais a criança elabora emoções, medos, desejos e experiências. É através da brincadeira que ela experimenta o mundo e também a si mesma.
Talvez a grande pergunta que Toy Story 5 nos traga não seja se os brinquedos vão vencer as telas.
Talvez a pergunta seja: o que estamos perdendo quando a imaginação deixa de ser protagonista?
Porque, no fundo, todo brinquedo esquecido em uma prateleira nos convida a refletir sobre algo maior: a necessidade humana de criar, fantasiar, se conectar e construir histórias próprias.
E isso não é importante apenas para as crianças.
Muitos adultos também estão precisando desligar um pouco as telas e voltar a brincar com a vida. ✨