G1 Zona da Mata | Sobrevivente de três cânceres transforma dor em acolhimento

Primeiro diagnóstico da juiz-forana Daniela Martins foi aos 14 anos, com um câncer raro no fígado. Aos 30 e aos 40 anos, os tratamentos foram contra dois tumores na mama. Hoje, a terapeuta auxilia outras mulheres através da psicanálise.

Nos últimos dias, minha história foi contada pelo G1 Zona da Mata e repercutida em diversos portais de notícias.
Poder compartilhar capítulos tão pessoais da minha caminhada, como o diagnóstico e o enfrentamento do câncer, não é algo simples. É revisitar dores, medos e lembranças que moldaram quem eu sou hoje.
Mas é também um ato para inspirar outras pessoas a não desistirem, a recomeçarem e seguirem.

Durante muito tempo, eu falei pouco sobre esse assunto fora do círculo mais íntimo. Não por falta de vontade, mas porque algumas vivências exigem tempo para se tornarem palavra. É preciso atravessar o processo, entender o que ele nos ensinou e, só então, estar pronta para falar… não mais a partir da ferida, mas da cicatriz.

Hoje, olhando para trás, percebo que aprendi muito sobre o que realmente importa, sobre presença, sobre escuta. E talvez por isso, anos depois, eu tenha encontrado na psicanálise uma nova forma de cuidar: uma escuta que transforma, que ressignifica, que ajuda a reconstruir sentidos.

Quando o G1 me procurou para contar minha trajetória, senti que era a hora certa. O Outubro Rosa é um mês de mobilização, de prevenção, mas também de histórias reais. E eu quis que a minha fosse contada não apenas como uma história de superação, mas como um convite ao cuidado com o corpo, com a mente e com a vida como um todo.

O Outubro Rosa está terminando, mas o cuidado não tem data para acabar. Cuidar é um ato contínuo — de amor, de presença, de respeito com o próprio corpo e com a própria história. E é isso que quero continuar promovendo, tanto nas minhas falas quanto nas minhas escutas.

Daniela Martins - Doctoralia.com.br